Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Linguista acusa Portugal

CORRECÇÃO:
 Lusofonia/Português: Linguista acusa Portugal...

3 de Outubro de 2007, 15:35

 

Corrige segundo parágrafo: Substitui "sisma" por "cisma".

Versão corrigida do segundo parágrafo:

O linguista, que tem participado nas tentativas de acordo da unificação ortográfica nos países de língua oficial portuguesa, fala mesmo num "cisma" entre Portugal e Brasil que "se arrasta há mais de um século e que prejudica a difusão da língua portuguesa".

Versão integral da notícia:

Bragança, 03 Out (Lusa) - Um dos mais conceituados linguistas portugueses, Malaca Casteleiro, acusou hoje Portugal de estar a entravar o acordo ortográfico com os países lusófonos por um "medo estúpido" do domínio do Brasil.

O linguista, que tem participado nas tentativas de acordo da unificação ortográfica nos países de língua oficial portuguesa, fala mesmo num "cisma" entre Portugal e Brasil que "se arrasta há mais de um século e que prejudica a difusão da língua portuguesa".

"É maior do que a guerra dos cem anos", ironizou, à margem do VI Congresso da Lusofonia, que começou hoje em Bragança, e que tem como tema central o acordo ortográfico e a variante brasileira da língua portuguesa.

Segundo o linguista português, o Brasil - o maior falante da língua portuguesa - "tem muita vontade de implementar o acordo e Portugal não diz nada"

"Eu creio que há aqui um medo estúpido de que o Brasil, através da ortografia, reconquiste os países africanos de língua portuguesa e os leve para o seu lado, o que é completamente descabido e mau para a língua portuguesa", afirmou.

Malaca Casteleiro entende que Portugal está a desperdiçar um potencial de quase duzentos milhões de falantes para a difusão da língua portuguesa no mundo, através de um país que, além do elevado número de habitantes, "tem uma literatura potentíssima, é um potentado económico e tem uma capacidade de difusão cultural magnífica".

Em vez do " receio deste domínio", o linguista entende que Portugal devia aproveitar esta potencialidade e implementar, de uma vez por todas, um projecto de que há muito se fala no seio da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa).

O projecto, de acordo com Malaca Casteleiro, consiste no intercâmbio de alunos e professores, conferências e outras iniciativas culturais, um programa algo semelhante ao europeu Erasmus, mas que ainda não foi avante por "falta de recursos financeiros".

Malaca Casteleiro lembrou que Portugal ainda não ratificou a mais recente decisão sobre a escrita comum da língua, que permitiria a entrada em vigor do acordo ortográfico com apenas a ratificação de três países.

Apenas o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificaram essa norma.

O impasse mantém-se e arrastou-se por todo o século XX, conforme recordou o linguista, lembrando que desde a reforma ortográfica da implantação da República, em 1911 que Portugal e Brasil tentam um acordo.

Depois de várias tentativas em 1931, 1943, 1945, 1973 e 1986 para a convenção ortográfica Luso-Brasileira, em 1990 foi negociado e aprovado por todos os países de língua portuguesa, a nível político, um acordo que só foi ratificado pelos respectivos parlamentos de Portugal, Brasil e Cabo Verde.

Em 2004, foi proposta uma norma que permitia que a entrada em vigor, desde que ratificado por apenas três países, mas a referida norma ainda não foi aprovada por Portugal, tendo apenas o aval do Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

"Falta de vontade política" é também o que entende o linguista brasileiro Evanildo Bechara, outro dos convidados do Congresso da Lusofonia em Bragança.

Apesar de tudo, Bechara não acredita que "haja uma desvinculação da variante brasileira do português, que a futurologia prevê para o século XXI".

Esta possibilidade foi levantada no congresso e surpreendeu o especialista porque - diz "não é essa a visão do brasileiro".

Acredita e defende uma unificação ortográfica da língua, em que cada país falante mantenha as suas variantes.

Chegou o momento, disse, de Portugal e o Brasil se sentarem numa mesa e discutirem um futuro comum da língua portuguesa".

Sustentou ainda que o português "só não corre riscos perante a globalização se os países se consciencializarem da sua importância".

"Cada país continuará com os seus particularismos linguísticos, mas na hora de escrever, escreverão de uma só maneira, como acontece com o francês, o espanhol ou o árabe", frisou.

HFI.
Lusa/fim

 

Aqui fala-se Português editou às 15:54
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7 comentários:
De Mário de Andrade a 5 de Outubro de 2007 às 02:14
Não sei porque brasileiros ainda se dão ao trabalho de ir nessas conferências idiotas supostamente sobre lingüística feitas pelos portugueses. Deviam ter feito o mesmo que fizeram os africanos que disseram um sonoro não ao convite de participar desta idiotice.

O Brasil nunca falou português em sua história e nunca falará, nós falamos e escrevemos em brasileiro. Que o fracasso desta idiotice de unificação da escrita seja um estimulo final para declarar o que todos sabemos, no Brasil se fala, sempre se falou e sempre se falará em bom BRASILEIRO.


De editou a 5 de Outubro de 2007 às 15:06
Caro Andrade, não sei se você é português se é braileiro, ou de qualquer outro país lusofano.
Agora quer você queira quer não a fala brasileira nasceu do português, isso nem você nem ninguém pode negar ou mudar.
E não dá para comparar o goveno brasileiro com alguns governos africanos.
Entenda quem tiver capacidade para o fazer.


De Cecília Meirelles a 16 de Junho de 2008 às 19:56
E a fala portuguesa originou-se do galego arcaico. Fosse assim, teriam de unificar-se ao galego ou considerar a língua galega como a variante mais "pura" e paradigmática. Realmente este é um argumento circular que não leva a nada, pois chega-se com isso à lingua anterior ad eternum (até chegar ao latim, até chegar ao sãnscrito, etc, etc) As coisas mudam, evoluem. A vida caminha adiante e não para trás...


De MateusVoltado a 13 de Fevereiro de 2008 às 18:02
A nossa escrita sempre foi assim. O Brasil não alterou coisa nenhuma das linguagens lusitanas; veja-se a estrutura da Língua Portuguesa que deriva do Latim; tem história, tradição e cultura. Apesar de tudo o português é uma Língua românica que se configurou natural e evolutiva. Perguntarão, "então de onde veio o "brasileiro"? O chamado português do Brasil, formou-se a partir do português do século XVI. O brasileiros que conhecem o fenómeno deverão estar contentes porque falam a linguagem do tempo de Camões; nós perdemos o sotaque do Brasil dado que o português evolui durante os 400 anos posteriores. Mas, Mário Andrade parece ter complexos linguísticos...


De Cecília a 16 de Junho de 2008 às 20:01
É pena mesmo para o Brasil se submeter a este tipo de política suja... ao invés de afirmar suas diferenças linguísticas e culturais, ainda prefere aderir a este tipo de acordo em nome dos supostos benefícios econômicos que isso poderia nos dar. Esta aí a marca da mentalidade colonizada do nosso povo. Lástima total.


De Samuel a 14 de Novembro de 2009 às 12:56
Sou brasileiro e quero esclarecer algo (se quiserem me falar algo sobre meu comentário ou outra coisa, eu vou ficar de olho nesta página)

Mário de Andrade, o Brasil fala português sim, porém com influência indígena e africana (o que faz com o que algumas coisas sejam completamente diferentes do falado em Portugal e algumas parecidas). Gosto de Portugal, gosto dos portugueses, gosto de ouvir o som da fala portuguesa. Não temos uma língua chamada brasileiro, mas uma chamada Língua Portuguesa, que herdamos de Portugal. Sabia que 90% do brasileiro tem algum ancestral português? E que a maioria dos portugueses que vinheram ao Brasil desde 1500 são da zona norte de Portugal? Se você for de Porto, Vila Nova de Gaia ou de alguma cidade do norte, temos quase 100% de chances de sermos parentes (vale notar DE 1500 ATÉ 1991 2.256.798 de portugueses emigraram, ou imigraram ao Brasil).

editou, você é o cara!

OlívioNeves, nos não falamos o português do tempo de Camões (leia algo daquele tempo e depois ouça ou leia algo que os brasileiros dizem hoje), tivemos influência de outros povos também (até de franceses e holandeses, quando tentaram tomar o Brasil de Portugal). A língua evoluiu também no Brasil, mas o Brasil foi por um caminho o Portugal foi pelo outro (ambos em direção ao futuro e não ao passado). Não foram 400 anos, foram 509 anos.

Cecília, para o brasil isso não é uma política suja que desvalorisa a cultura nem é uma estratégia para dominar Portugal, Moçambique etc., e sim uma forma de estreitar nossos laços (que já incluem parentesco, cultura língua etc.), estamos tentando ficar próximos de Portugal, principalmente.


De Samuel a 14 de Novembro de 2009 às 13:03
Sou brasileiro e quero esclarecer algo (se quiserem me falar algo sobre meu comentário ou outra coisa, eu vou ficar de olho nesta página)

Mário de Andrade, o Brasil fala português sim, porém com influência indígena e africana (o que faz com o que algumas coisas sejam completamente diferentes do falado em Portugal e algumas parecidas). Gosto de Portugal, gosto dos portugueses, gosto de ouvir o som da fala portuguesa. Não temos uma língua chamada brasileiro, mas uma chamada Língua Portuguesa, que herdamos de Portugal. Sabia que 90% do brasileiro tem algum ancestral português? E que a maioria dos portugueses que migraram para o Brasil desde 1500 são da zona norte de Portugal? Se você for de Porto, Vila Nova de Gaia ou de alguma cidade do norte, temos quase 100% de chances de sermos parentes (vale notar DE 1500 ATÉ 1991 2.256.798 de portugueses emigraram, ou imigraram ao Brasil).

editou, você é o cara!

OlívioNeves, nos não falamos o português do tempo de Camões (leia algo daquele tempo e depois ouça ou leia algo que os brasileiros dizem hoje), tivemos influência de outros povos também (até de franceses e holandeses, quando tentaram tomar o Brasil de Portugal). A língua evoluiu também no Brasil, mas o Brasil foi por um caminho o Portugal foi pelo outro (ambos em direção ao futuro e não ao passado). Não foram 400 anos, foram 509 anos.

Cecília, para o Brasil isso não é uma política suja que desvaloriza a cultura nem é uma estratégia para dominar Portugal, Moçambique etc., e sim uma forma de estreitar nossos laços (que já incluem parentesco, cultura língua etc.), estamos tentando ficar próximos de Portugal, principalmente.

Obs: o verificador ortográfico está dizendo que direção se escreve direcção, mas e vou deixar assim por que é assim que é escrito corretamente no Brasil (aliás, também esta indicando que o corretamente que eu acabei de escrever se escreve correctamente)


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