Sexta-feira, 21 de Março de 2008

ratificar o acordo ortográfico...

Acordo Ortográfico
António Tavares



Quase desde criança ouço falar de um acordo ortográfico entre todos os países com o português como língua oficial. Em 1990 muito se falou desse acordo, mas ficou apenas por isso mesmo, conversa.

Agora parece que finalmente o governo português se decidiu a ratificar o acordo por uma ortografia comum do idioma português.
Pretende-se com o Acordo a unidade da Língua na escrita e só na escrita, naturalmente.

Acreditam alguns especialistas, e não apenas eles, mas também os políticos, que, unificada, a Língua portuguesa terá outra força, ganhará em «poder de afirmação» nas instâncias internacionais.
Em termos práticos, o que muda com a ratificação do Acordo Ortográfico?

A unificação da ortografia implica que 1.6 por cento do vocabulário português tem de ser modificado. No vocabulário brasileiro haverá 0.45 por cento de alterações. Isto é o que diz o Acordo, mas, na prática, a percentagem é muito maior na língua portuguesa, tanto mais que as palavras em causa são frequentemente usadas. a dupla grafia pode atenuar as alterações.

O alfabeto passa a ter 26 letras com a inclusão do «K», o «Y» e o «W»;

Apesar das mudanças a nível de ortografia, as pronúncias próprias de cada país continuam iguais.

Exemplos de palavras que vão ter dupla grafia devido à diferença de pronúncia entre Portugal e Brasil:
académico/acadêmico, amazónia/amazônia, anatómico/anatômico, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, cénico/cênico, cómodo/cômodo, efémero/efêmero, fenómeno/fenômeno, gémeo/gêmeo, género/gênero, génio/gênio, ténue/tênue, tónico/tônico e também bebé/bebê, bidé/bidê, canapé/canapê, caraté/caratê, cocó/cocô, croché/crochê, guiché/guichê judo/judô, matiné/matinê, metro/metrô, puré/purê.

Exemplos práticos de alterações na grafia: cai o «h» como em «húmido» e fica úmido, desaparecem o «c» e o «p» nas palavras onde não se lêem (são mudos), como acção, acto, baptismo ou óptimo.

Mais exemplos de consoantes que desaparecem com o novo acordo: acionar, adjetival, adjetivo, adoção, adotar, afetivo, apocalítico, ativo, ator, atual, atualidade, batizar, coleção, coletivo, contração, correção, correto, dialetal, direção, direta, diretor, Egito, eletricidade, exatidão, exato, exceção, excecionalmente, exceções, fator, fatura, fração, hidroelétrico, inspetor, letivo, noturno, objeção, objeto, ótimo, projeto, respetiva, respetivamente, tatear.

Nas sequências «mpc», «mpç» e «mpt», se o «p» for eliminado, o «m» passa a «n», como assunção e perentório.

As terminações verbais «êem» deixam de ser acentuadas em Portugal e no Brasil (exemplos: creem, deem, leem, veem, incluindo os verbos com as mesmas terminações: descreem, releem, reveem, etc).

Deixa de ter acento diferencial a forma verbal de «para».

O acento diferencial para distinguir o passado do presente passa a ser facultativo As formas monossilábicas do verbo haver perdem o hífen. Exemplos: «hei de», «hás de», «há de», «hão de». A palavra «fim-de-semana» também fica sem hífen.

O hífen cai também em palavras compostas (em que se perdeu a noção de composição), que passam a ser escritas assim: mandachuva, paraquedas e paraquedista.

Ainda em relação ao hífen: fusões de palavras quando há duplicação do «s» ou do «r», como antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, extrarregular, infrassom.

O novo acordo recomenda também que se generalize a fusão quando a terminação é uma vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente: extraescolar, autoestrada.
Meses e estações do ano passam a escrever-se com letra minúscula

No vocabulário brasileiro desaparece o acento circunflexo em palavras como abençôo, vôo, crêr, lêr e outras.

Desaparece também também o trema em palavras como lingüíça, freqüencia ou qüinqüénio, assim como o acento agudo nos ditongos abertos como por exemplo assembléia ou idéia.

Os defensores do acordo fazem questão de sublinhar que não elimina em nenhuma palavra qualquer letra que se leia numa pronúncia culta da língua, não estabelece regras de sintaxe, não interfere com a coexistência ou com as regras de normas linguísticas regionais, tem a ver somente com a maneira de escrever as palavras!

Com o Acordo Ortográfico, a grafia das palavras passa a ser regulamentada nos países de língua portuguesa.

Muitas bandeiras se têm levantado nos ultimos dias, umas a favor do Acordo, outras contra, quanto a mim sinceramente não me agrada ter que “desaprender” tudo o aprendi e utilizei desde a primária, no entanto reconheço que algumas destas alterações até fazem sentido p.ex. batismo em vez de, baptismo, outras nem por isso p.ex. se deixar de existir o acento diferencial da forma verbal de «para» como vamos distinguir o «para» do «pará» ou o «facto» do «fato»?.

No entanto tal como dizia Fernando Pessoa - «a minha Pátria é a Língua Portuguesa» e se este Acordo resultar realmente numa consolidação da Língua Portuguesa como língua de múltiplos continentes então será muito pouco aquilo que nós é pedido.

Aqui fala-se Português editou às 10:38
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Portugal aprova acordo ortográfico

Presidente da Academia Brasileira de Letras
congratula-se com aprovação acordo ortográfico
7 de Março de 2008, 19:34


Rio de Janeiro, Brasil, 07 Mar (Lusa) - O presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, congratulou-se hoje com a aprovação do acordo ortográfico pelo governo português, salientando tratar-se de uma "boa notícia" para todo o Brasil.

"Nós vamos ser uma língua escrita da mesma forma. Não importa a maneira como vamos pronunciar as palavras, mas a grafia será a mesma", frisou.

Cícero Sandroni falava aos jornalistas portugueses no Rio de Janeiro, depois de ter entregado ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, um exemplar de um jornal brasileiro que hoje titulava "Portugal dá aval à reforma ortográfica".

Recordando Fernando Pessoa - "a minha Pátria é a Língua Portuguesa" - e que o acordo ortográfico já foi ratificado pelo Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, Cícero Sandroni acrescentou que a decisão de Portugal "é muito importante para a afirmação da Língua Portuguesa no mundo, que hoje tem mais de 200 milhões, talvez 220 milhões de utentes".

O Conselho de Ministros aprovou quinta-feira a proposta do segundo protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1991, comprometendo-se a adoptar as medidas adequadas para "garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos".

Questionado sobre se também dá o aval ao acordo, Cavaco Silva, ao lado do presidente da Academia Brasileira de Letras, respondeu que, segundo o princípio da separação de poderes, o Presidente da República "fica a aguardar que a Assembleia da República discuta o acordo ortográfico e depois o submeta a promulgação".

Cavaco Silva reafirmou que a decisão do Conselho de ministros "foi como que uma associação da parte do Governo" às celebrações do bicentenário da transferência de corte portuguesa para o Brasil.

"Essa transferência também significou de alguma forma a consolidação da Língua Portuguesa como língua de múltiplos continentes", referiu o Presidente da República.

"Numa caminhada em conjunto durante séculos, há um acontecimento histórico que começa em 1808 que dá um contributo decisivo para que hoje as nações (Portugal e Brasil) sejam nações irmãs, onde a Língua Portuguesa é uma peça decisiva da identidade dos dois países", acrescentou.

Cavaco Silva está no Rio de Janeiro desde quinta-feira, para participar nas comemorações brasileiras dos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil.

A visita, de três dias, efectua-se a convite do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da silva, que se encontrará ainda hoje como Cavaco Silva.

Lusa/Fim


 

Aqui fala-se Português editou às 20:28
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