Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Divergências ou nacionalismo?

Porque é o Acordo Ortográfico tão impopular?

Sem Acordo, o que vai acontecer é que se vai consagrar a diferença entre a "língua portuguesa" e a "língua brasileira", tornando-se esta, (a brasileira) cada vez mais, a língua lusófona por excelência.

Todos os outros países lusófonos adoptarão a grafia brasileira.


 


1. Não me surpreende o relativo sucesso da petição lançada contra o Acordo Ortográfico. Já afirmei publicamente que, se o Acordo fosse sujeito a referendo, o resultado seria um expressivo não. Digo-o apesar de ser um apoiante do Acordo, e (o segundo) subscritor da petição lançada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono, em prol de uma mais rápida implementação do mesmo.
Mas as coisas são como são: as razões para apoiar este Acordo derivam sobretudo de uma "visão estratégica" que procura promover a maior unidade possível da Lusofonia. Ora, a maior parte das pessoas é pouco sensível a essa "visão estratégica", preocupando-se apenas com a "língua portuguesa" em particular – não com a Lusofonia como um todo. E por isso são indiferentes ao facto, totalmente absurdo, de, actualmente, nos fóruns internacionais, como na ONU, os documentos terem que ser traduzidos para "duas línguas": "a portuguesa" e "a brasileira".

2. Decerto, muitos daqueles que estão contra o Acordo Ortográfico, a começar pelo insigne poeta Vasco Graça Moura, amam, de facto, a língua portuguesa. Não é, pois, esse, o ponto. O ponto é que o Acordo não tem a ver apenas com a língua portuguesa mas com a Lusofonia, na sua acepção mais vasta. Ou seja, não apenas portuguesa.
Em 1911, Portugal, com a reforma ortográfica que fez, cindiu, unilateralmente, a unidade da língua. Daí decorreu um afastamento cada vez maior entre o "português" e o "brasileiro". Com este Acordo, há uma real possibilidade de reunificação – não é a perfeita, mas é a possível (obviamente, um prato recolado nunca fica tão perfeito como um prato não partido). Sem Acordo, o que vai acontecer é que se vai consagrar a diferença entre a "língua portuguesa" e a "língua brasileira", tornando-se esta, cada vez mais, a língua lusófona por excelência.

3. É óbvio que, como bradam muitos dos opositores ao Acordo, este configura uma "violência" sobre a língua portuguesa e que não há razões endógenas para o fazer. A língua, por si só, não o pede. Por isso, todo o debate sobre o Acordo centrado em razões linguísticas está condenado ao fracasso. Ainda que o espantalho do abastardamento da etimologia seja apenas isso, um espantalho: apenas para dar três exemplos, de acordo com a etimologia, "erva" deveria escrever-se "herva"; "contrato" deveria ser grafado "contracto" e "prático" deveria ser "práctico". Se os opositores do Acordo insistem neste argumento, deviam pois propor o regresso à "orthographia" utilizada antes de 1911.

4. Há também aqueles que estão contra o Acordo porque acham que ele não vai suficientemente longe. Não tenhamos ilusões: se este Acordo naufragar, não haverá, no espaço de 20 anos, nenhuma outra proposta de Acordo. E aí já será tarde: nessa altura, já todos os outros países lusófonos adoptarão a grafia brasileira.

5. Finalmente, há uma razão ainda mais prosaica para a maior parte das pessoas estar relutante em relação ao Acordo: quando este for finalmente implementado, as pessoas vão ter que "reciclar" o seu modo de escrever. Ora, isso dá trabalho. É muito mais "convincente" defender que tudo deve ficar na mesma...

Renato Epifânio
 

Aqui fala-se Português editou às 20:21
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2 comentários:
De Il Conte a 1 de Junho de 2008 às 11:47
Eu não estou de acordo com o Senhor. Compreendo e respeito a sua posição, claro, e sei que o Senhor ama a Língua Portuguesa sem duvida mais do que eu , que não sou Português nem Brasileiro nem de outro pais lusófono.
Contudo eu defendo que um acordo ortográfico seria uma prostituição da Língua Portuguesa e de Portugal, pois Portugal não tem nada a ganhar e tudo a perder com o acordo. A Língua unificada seria um PÉSSIMO PORTUGUÊS que do português só teria o nome, praticamente com esse acordo a gente passava a chamar "Língua Portuguesa" o que agora (justamente) se chama BRASILEIRO.
As editoras que publicam livros para aprenderem línguas estrangeiras publicam cursos para aprender português e outros, diferentes , para aprender brasileiro. São duas Línguas diferentes, pronto!
Ou então vamos fazer também um acordo ortográfico entre holandês e afrikaans , entre castelhano e catalão e entre dinamarquês e norueguês?
O acordo só permitia às editoras brasileiras de canibalizarem o mercado editorial lusófono, sobretudo nos livros escolares.
O Senhor ainda está a tempo para mudar de ideias....
Eu sei que ama a Língua Portuguesa.
Esse é um amor que eu tenho em comum consigo.
Não se preocupe, eu não tenho ciúmes !


De editou a 1 de Junho de 2008 às 13:26
Caro amigo Italiano
Algo nos une, o senhor diz que ama a língua Portuguesa. Sabe eu amo minha língua mas gosto muito do som da língua Italiana lamentavelmente não sei falá-la aí o amigo está em vantagem.
Quanto ao acordo ortográfico em parte concordo consigo, porém entendo que para que o acordo seja viável todos têm que fazer alguma cedência.
Há forma da língua Portuguesa sair engrandecida em vez de prejudicada, isso agora já depende dos políticos, Claro que eu falarei e escreverei como sempre o fiz até á minha morte, tenho 48 anos é tarde para mudar minha forma de escrever. Mas isso não significa que não aceite que uma aproximação entre a forma linguista de todos os países lusófonos seja benéfica a todos. Claro que quem mais vais beneficiar com isso são as grandes multinacionais como a Microsoft passará a haver apenas um português em vez de vários.


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